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Cap. 184

Lucretia: — Ele disse que está procurando um quarto para dormir antes de seguir viagem.

Wayne: — Muita coincidência o Tex aparecer aqui justo quando estou desse jeito.

Lucretia: — Talvez tenha sido melhor.

O xerife olha para ela com uma expressão de quem não concorda e a acha maluca, mas não arriscaria dizer isso em voz alta nem se estivesse em condições de correr depois.

A mulher explica: — Você iria ao saloon confrontá-lo. Vai saber o que ele diria antes que a gente conseguisse calá-lo? Quantas pessoas ouviriam sobre quem somos? E o que faríamos depois? Explodir a cidade e todo mundo que vive aqui?

Wayne: — Isso já me passou pela cabeça.

Lucretia ignora o comentário e prossegue: — Vou providenciar um quarto para ele.

Wayne, tentando se levantar e desistindo depois da estocada de baioneta que percorre sua espinha: — O quê?

Lucretia: — Ele vem para cá, assim podemos controlar seus passos. Você está sem poder sair do quarto, então não irão se encontrar.

Wayne, malicioso: — A não ser que ele venha ao seu quarto.

Lucretia: — Eu escolho bem quem se deita em minha cama.

A mulher aproxima o rosto do xerife e se corrige: — Pelo menos, costumava escolher. A idade me fez mais piedosa e menos exigente.

Ela prossegue: — Faremos isso, então. Traremos Tex aqui e ficaremos escondidos até ele partir.

Wayne: — Péssima ideia.

Lucretia: — O que você sugere?

Wayne: — Trazer o Tex aqui, dar um tiro na cabeça do animal, jogar o corpo no deserto e dizer que ele tentou roubar você e fugiu depois de ser baleado.

Lucretia: — Você se lembra de que é um xerife, certo? Homens da lei não atiram nos outros e inventam mentiras depois para acobertar.

O xerife se cala, seja por vergonha, seja por não querer prolongar o sermão dizendo quantos xerifes e delegados ele conheceu que eram piores do que ele e Lucretia juntos.

Lucretia que, aliás, acrescenta: — Porém, vamos guardar sua ideia para o caso de alguma coisa dar muito errado.

Wayne, mais satisfeito: — Vou manter as esperanças.
 

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